NEGÓCIOS VERDES – Energia solar está sob controle dos chineses.

São Paulo, segunda-feira, 01 de novembro de 2010

NEGÓCIOS VERDES

Energia solar está sob controle dos chinesesPor TODD WOODY
FREMONT, Califórnia – O Vale do Silício sonhou em reinventar a tecnologia de transformação da energia solar usada para fazer painéis solares, através do corte radical dos custos de produção.
Mas, conforme as companhias fundadas por veteranos da alta tecnologia finalmente iniciaram a produção em larga escala, eles estão descobrindo que essa indústria já passou por transformação. Industriais chineses, fortemente subsidiados pelo seu próprio governo e apoiados em uma economia de alta escala, têm contribuído para a queda do preço dos painéis solares convencionais e controlado uma generosa fatia do mercado mais rápido do que o previsto.
Os construtores de painéis solares chineses agora produzem para 40% do mercado californiano, o maior dos Estados Unidos nesse tipo de energia, e para a maior parte do mercado europeu, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance, uma empresa de pesquisa.
“Nós crescemos todos os anos”, disse Fang Peng, executivo-chefe da JA Solar, em Xangai. “No fim do ano, vamos ter 1.8 gigawatts de capacidade e cresceremos de 4.000 empregados no começo deste ano para mais de 11 mil.
Em comparação, a Silicon Valley´s Solyndra espera ter uma capacidade de produção total de 300 megawatts no final de 2011.
“O mercado solar mudou muito, o suficiente para fazer você chorar”, disse Joseph Laia, executivo-chefe da MiaSolé.
Os desafios vêm apesar do extenso apoio público e privado. Solyndra, uma das maiores empresas do setor, obteve mais de US$ 1 bilhão de investidores. O governo federal forneceu um empréstimo de US$ 535 milhões para a nova fábrica de painéis solares da empresa. Mas, enquanto tal estrutura da Solyndra está em construção, a competição dos chineses ajudou a derrubar o preço dos módulos solares em 40%. Solyndra aumentou seus esforços de marketing para vender a imagem de que seus painéis, apesar de mais caros, têm custo-benefício maior, já que considera as taxas de instalação no preço.
“Isso coloca mais pressão para derrubar os custos de produção”, disse Bem Bierman, vice-presidente de operação e engenharia da Solyndra.
O crescimento rápido dos chineses está fazendo com que investidores tenham receio de começar novos negócios na área.
No terceiro trimestre de 2010, o investimento em companhias solares despencou para US$ 144 milhões, bem distante dos US$ 451 milhões do mesmo trimestre do ano anterior, de acordo com o Grupo Cleantech, uma empresa de pesquisas de San Francisco.
Companhias que fazem células fotoelétricas usando elementos como cobre, índio, gálio e seleneto, ou CIGS, estão sendo particularmente prejudicadas.
Ao contrário das células solares convencionais, feitas de silício, células CIGS podem ser depositadas em vidro ou materiais flexíveis. A promessa das novas células solares era que podiam ser mais baratas. Mas produzir células CIGS em larga escala é um desafio.
Enquanto companhias trabalham nesse problema, preços do silício caem, e as companhias chinesas rapidamente expandem a produção de painéis solares convencionais.
Arnos Harris, executivo-chefe da Energy Recurrent, empresa que desenvolve energia solar em San Francisco, disse que assinou um acordo de fornecimento com a Yingli Green Energy, que recebe subsídios do governo chinês, porque a companhia oferece preços baixos, produtos de qualidade e possibilidade de financiamento.
A competição chinesa fez com que algumas companhias do Vale do Silício perseguissem novas estratégias para sobreviver.
A Innovalight desenvolveu uma nova ideia, algo que chama de “tinta de silício”, que aumenta a eficiência da célula solar. Os executivos da Innovalight decidiram que, em vez de competir com os chineses, poderiam negociar a patente com eles e evitar o investimento de centenas de milhões de dólares para construir fábricas.
“Como você luta contra subsídios enormes, juros baixos em empréstimos, mão de obra barata e um governo que objetiva tornar você o primeiro colocado em tecnologia solar?”, disse Conrad Burke, chefe da Innovalight, se referindo, é claro, ao governo chinês. Até mesmo Lyndon Rive, executivo-chefe da SolarCity, outra empresa do Vale do Silício, confirmou que sua companhia vai instalar um número considerável de painéis solares para a gigante do varejo Wal-Mart -quase todos eles feitos na China.

Trio Corrente convida Leny Andrade

Trio Corrente convida Leny Andrade

Projeto: Espaço Ao Vivo na Praça Victor Civita (Editora Abril) temporada 2010

13 de agosto de 2010   –   13hs: Praca Victor Civita   – 22hs: Ao Vivo Music

Trio Corrente convida Leny Andrade

Patrocinadores: Hitachi Data Systems – Ministério da Cultura  - Lei Roaunet


Ivan Lins e Leo Amuedo – 30 de julho de 2010

Projeto: Espaço Ao Vivo na Praça Victor Civita (Editora Abril) temporada 2010

30 de julho de 2010   –   13hs: Praca Victor Civita   – 22hs: Ao Vivo Music

Ivan Lins e Leo Amuedo

Patrocinadores: Hitachi Data Systems – Ministério da Cultura  - Lei Roaunet

25 ª Conferência Europeia da Energia Solar Fotovoltaica

http://www.photovoltaic-conference.com/

25 ª Conferência Europeia da Energia Solar Fotovoltaica (6-9 setembro de 2010) será realizada na Feira de Valência , em Valência, Espanha.

Exposição

Exposições e Feiras PV Solar (6-9 setembro de 2010)

Exposição será realizada de 6 a 09 de setembro de 2010 na Feira de Valência, na Espanha. Este mostra de comércio e da indústria fotovoltaica global irá atrair cerca de 900 empresas e organizações solar, bem como cerca de 40.000 visitantes de todo o mundo. A exposição, a decorrer em paralelo com a Conferência oferece uma vitrine para a tecnologia e os prestadores de serviço envolvidos no campo Solar PV.

Os 25 da UE PVSEC / WCPEC-5 irá destacar o progresso da investigação, desenvolvimento tecnológico e processos de produção, reunindo todos os principais especialistas da indústria para tornar a plataforma mais informativo para o sector global Solar PV.

A exposição inclui fabricantes mundiais de módulos fotovoltaicos e de componentes, fabricantes de equipamentos de produção, a indústria de fornecimento, as empresas do sistema PV e distribuidores, empresas de instalação PV, empresas de projecto de investigação PV desenvolvimento, testes e institutos e consultorias de engenharia.


Os 25 da UE PVSEC / WCPEC-5 – Exposição será realizada de 6 a 09 de setembro de 2010 na Feira de Valência, na Espanha. Este dia da mostra de comércio e quatro da indústria fotovoltaica global irá atrair cerca de 900 empresas e organizações solar, bem como cerca de 40.000 visitantes de todo o mundo. A exposição, a decorrer em paralelo com a Conferência oferece uma vitrine para a tecnologia e os prestadores de serviço envolvidos no campo Solar PV.


Os 25 da UE PVSEC / WCPEC-5 irá destacar o progresso da investigação, desenvolvimento tecnológico e processos de produção, reunindo todos os principais especialistas da indústria para tornar a plataforma mais informativo para o sector global Solar PV.


A exposição inclui fabricantes mundiais de módulos fotovoltaicos e de componentes, fabricantes de equipamentos de produção, a indústria de fornecimento, as empresas do sistema PV e distribuidores, empresas de instalação PV, empresas de projecto de investigação PV desenvolvimento, testes e institutos e consultorias de engenharia.

Dedini e Novozymes vão produzir etanol com bagaço de cana

14:21:41  - 16-07-2010

Dedini e Novozymes vão produzir etanol com bagaço de cana

Reuters – www.reuters.com/

COPENHAGUE (Reuters) – A Novozymes, produtora número 1 de enzimas industriais no mundo, informou nesta sexta-feira que entrou em um acordo com a brasileira Dedini para desenvolver biocombustível à base do bagaço e da palha da cana.

A companhia dinamarquesa afirmou que assinou com a Dedini, líder global na produção de equipamentos para o setor de açúcar e etanol, um acordo de parceria “visando um desenvolvimento contínuo de um caminho tecnológico para produzir etanol de celulose no Brasil.”

O etanol celulósico, ou de segunda geração, é produzido a partir de lascas de madeira, grama ou partes não-comestíveis de produtos agrícolas –o que pode resolver problemas associados à produção de combustível a partir de safras de alimentos.

“Considerando a demanda por etanol no Brasil e o volume de bagaço disponível, há uma oportunidade considerável para um crescimento maior neste mercado”, disse o diretor-executivo da Novozymes, Steen Riisgaard em um comunicado enviado por email.

“O objetivo dessa parceria é desenvolver um processo utilizando hidrólises enzimáticas dos resíduos da cana-de-açúcar”, acrescentou a companhia.

O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo, moendo mais de 600 milhões de toneladas por ano. O país produz aproximadamente 27 bilhões de litros de etanol pelo processo tradicional, disse a Novozymes.

Em fevereiro, a Novozymes lançou comercialmente a primeira enzima para a produção de combustíveis de segunda geração.

(Reportagem de Anna Ringstrom)

Painéis Solares na fachada Loja Zara na Alemanha

13:16:41  - 16-07-2010

Painéis Solares na fachada Loja Zara na Alemanha




Foi o que presenciei andando pelas ruas de Colônia, na Alemanha. Uma boa idéia que, além de economizar e gerar energia limpa cria um efeito muito interessante e chamativo na fachada da loja.
Um bom exemplo de Green Marketing a ser seguido.

Foto: Dulcídio Braz

Este bom exemplo é da loja Zara, reconhecida mundialmente por sua política ambiental. Para quem não conhece, vale saber um pouquinho do funcionamento destas lojas. O modelo de gestão das lojas propõe uma redução no consumo de energia de pelo menos 20%, meta que é alcançada através da sinergia de todos os processos, desde o design e sistemas de iluminação da loja, refrigeração / aquecimento, até a reciclagem do mobiliário e peças da decoração.
Há também uma preocupação na gestão de resíduos. Segundo eles, milhões de cabides e alarmes antifurto de roupas são reciclados todos os anos. Além disso, 90% dos sacos que entregam aos clientes são de papel, os outros 10% são de plástico biodegradável. Para finalizar, eles vendem roupas produzidas com tecidos ecológicos, além de calçados livres de materiais derivados de petróleo.

Acho um ótimo exemplo de Green Marketing que deve ser seguido pelas muitas lojas pseudo-ecológicas vistas no Brasil. Precisamos de lojas realmente responsáveis, algo que seja visível e efetivo, como visto neste exemplo da Zara.

Agradecimento especial ao camarada Dulcidio Braz do blog www.fisicanaveia.com.br que fotografou as imagens desta postagem.


As energias “verdes” foram vítimas da crise em 2009

As energias “verdes” foram vítimas da crise em 2009

16/07/2010 – Le Monde

Caminhão de carvão passa por estrada com usina eólica em Utha (EUA)

Apesar de um esfriamento em 2009, as energias renováveis continuam a ganhar terreno no mundo. A apresentação, na quinta-feira (15), pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), das “Tendências Mundiais de Investimento nas Energias Sustentáveis” mostra que os investimentos tendem a subir a médio prazo.

No mesmo dia, o estudo feito pela rede mundial REN21, que busca promover essas energias, confirma que “apesar dos ventos contrários causados pela recessão econômica, pela baixa do preço do petróleo e pela ausência de um acordo internacional sobre o clima, as energias renováveis conseguiram se segurar bem”.

O montante dos investimentos em energias renováveis no mundo em 2009 – US$ 162 bilhões (R$ 287 bilhões) – recuou 7% em relação ao ano anterior, mas ele é quatro vezes maior do que o mostrado em 2004, segundo o Pnuma. As dificuldades de financiamento encontradas pelos investidores são a principal explicação do mau desempenho de 2009.

“As energias limpas não são uma bolha criada pelos últimos episódios de um boom do crédito, mas representam um setor de investimento que continuará sendo importante nos próximos anos”, afirmam os especialistas do Pnuma.

A observação dos primeiros meses do ano vem confirmar essas declarações, uma vez que no primeiro semestre US$ 65 bilhões foram gastos em energias verdes, um crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2009. Esse belo início de ano acontece apesar da crise que agita determinados países europeus dinâmicos no setor das energias verdes e da volatilidade dos mercados financeiros.

Em 2009, pelo segundo ano consecutivo, os gastos para instalar novas capacidades de produção renováveis (incluindo a hidrelétrica) foram superiores aos dedicados às energias fósseis. Quase 50 GW de capacidade de geração de energia verde foram criados no mundo, sem contar as grandes instalações hidrelétricas, contra 40GW em 2008, segundo estimativas da agência da ONU. Com a contribuição da hidroeletricidade (mais 28GW), as energias renováveis se aproximam do nível de novas capacidades à base de energias fósseis (83GW). Além disso, em 2009, as energias renováveis forneceram 18% da eletricidade consumida no mundo, segundo a REN21.

O ano de 2009 também foi marcado pela entrada em vigor dos planos de retomada adotados para fazer frente à crise econômica. Uma parte – US$ 188 bilhões, segundo o Pnuma – foi dedicada às energias verdes e à economia de energia. Mas esse empurrãozinho ainda não surtiu todos seus efeitos, uma vez que somente 9% do orçamento previsto para as energias verdes foram gastos em 2009. O resto deve a princípio ser desbloqueado em 2010 e em 2011, contanto que os planos de rigor que se espalham pelos países desenvolvidos não comprometam esses programas.

A parte dos investimentos dedicados em 2009 à pesquisa e ao desenvolvimento em energias limpas pelas empresas e pelos governos chegou a US$ 24,6 bilhões, contra US$ 24,2 bilhões em 2008, um recuo de 16% em relação a 2008 para os primeiros (com US$ 14,9 bilhões) e um crescimento de 49% para os segundos (com US$ 9,7 bilhões). Os governos mostraram voluntarismo político para apoiar a emergência desse novo ramo de energia ao mesmo tempo em que criam empregos verdes.

A evolução dos gastos varia de acordo com a região. Dos US$ 119 bilhões gastos fora de orçamento de pesquisa e desenvolvimento, a China assumiu a liderança na classificação mundial com US$ 33,7 bilhões, um aumento de 53%. Os Estados Unidos (US$ 17 bilhões), o Reino Unido (US$ 11,7 bilhões) e a Espanha (US$ 10,7 bilhões) vêm na sequência.

A energia eólica atraiu a maior parte desses investimentos em 2009, representando na Europa e nos Estados Unidos 39% da potência recém-instalada, ao passo que a China dobrou sua capacidade eólica com a adição de 18,8 GW em 2009. No período 2005-2009, o relatório de REN21 mostra que a potência instalada em energia eólica progrediu em média 27% por ano.

Apesar de os investimentos nas tecnologias verdes tenderem a subir a médio prazo, o futuro poderá ser caótico. A conclusão decepcionante da cúpula de Copenhague, a dificuldade da administração Obama em ter aprovada sua lei sobre o clima ou a vontade dos governos europeus de reduzir os subsídios para as energias renováveis mostram que o crescimento dos investimentos pode sofrer contratempos conjunturais.

PROAC

10:27:49 hs – 15-07-2010

PROAC

O governo de SP autoriza hoje mais R$ 20 milhões para serem captados por meio de leis de incentivo para a cultura PROAC.

De R$ 60 milhões, a verba passará para R$ 80 milhões em 2010.

Hegemonia nas Piscinas – Natação Esporte Clube Pinheiros

15:46:50   – 14-07-2010

Hegemonia nas Piscinas – Natação Esporte Clube Pinheiros

Pela 13º em sua história, o Esporte Clube Pinheiros sagrou-se campeão do Trofeu Maria Link de Natação. Esta foi a 8º conquista consecutiva do clube no torneio, mostrando que sua força está na formação de grandes campeões.

Natação Esporte Clube Pinheiros:

  • 1898 aparições em TV e Jornal com transmissões Ao Vivo, VT e Reportagens.
  • + de R$ 82 milhões de espaço Ocupado na mídia (pequisa Infomídia 2009/2010)

Patrocine nossos campeões !


Brasil fica para trás na corrida pela nova economia “verde”

22:23:39    13-07-2010

Folha de São Paulo – http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2802201009.htm

São Paulo, domingo, 28 de fevereiro de 2010

Texto Anterior | Próximo Texto | Índice

Brasil fica para trás na corrida pela nova economia “verde”

Enquanto EUA e China investem bilhões em tecnologia, país se acomoda com matriz limpa, dizem analistas

Em 2009, grandes economias gastaram em média 16,4% dos pacotes de estímulo com investimentos “verdes’; no Brasil, fatia foi de 5%

NATÁLIA PAIVA
DA REDAÇÃO

Na corrida global por desenvolvimento científico e ampliação de investimentos ligados à economia de baixo carbono, o Brasil começa a ficar para trás.
Enquanto potências como EUA e China investem centenas de bilhões de dólares na área, vista como a nova fronteira do desenvolvimento mundial, o Brasil nem sequer tem um modelo nacional, afirmam acadêmicos e ambientalistas. No setor privado, negócios verdes esbarram em gargalos como estrutura tributária inadequada, falta     de marco regulatório e ausência de incentivo.
Nessa corrida, o país tem as vantagens da biodiversidade e de escolhas feitas no passado (como a aposta no álcool e na hidroeletricidade). No entanto, desperdiça o enorme potencial de fontes de energia, como solar, eólica e de biomassa, e avança lentamente em áreas-chave, como etanol celulósico, segundo especialistas.
“Talvez esse conforto esteja trazendo uma reação de certa forma comodista, diferentemente dos países premidos por urgência de mudança energética, que estão fazendo esforços para diversificar suas fontes de energia e mudar padrões produtivos e de consumo”, afirma o economista Ricardo Abramovay, do Núcleo de Economia Socioambiental da USP.
Globalmente, uma fatia média de 16,4% dos pacotes de estímulo lançados no ano passado para mitigar os efeitos da crise econômica foi “verde” (US$ 513 bilhões em 17 grandes economias), segundo o HSBC. A Bloomberg New Energy Finance estima que 16% desses fundos verdes sejam destinados a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas.
No Brasil, só R$ 1,5 bilhão, ou cerca de 5% do total de estímulos fiscais anticrise, focou o setor produtivo “limpo”, como o IPI reduzido para carros “flex”. E, segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, feito em todas as pastas a pedido daFolha, em 2009 o governo gastou R$ 2,5 bilhões em ações verdes (R$ 380 milhões diretamente ligados à pesquisa, sem contar atividade espacial).
O montante, fatia de 0,36% do Orçamento executado (descontadas estatais e transferências), é considerado baixo e “questionável” por especialistas, por contar programas que não teriam relação com a área, como Luz para Todos (que leva energia a locais isolados) e Pronaf (de agricultura familiar).
Para o cientista político Sergio Abranches, o país continua sem uma “política integrada de sustentabilidade” e a Política Nacional de Mudança Climática -sancionada em dezembro, mas ainda sem regulamentação- não deverá mudar esse cenário, por se concentrar em combate a desmatamento e “um pouco em agricultura”.
A geógrafa da UFRJ Bertha Becker, especialista da questão amazônica, diz que “ainda não estão claramente definidos” o que são “desenvolvimento sustentável” e “economia verde”, mas que investimento em pesquisa e ciência “certamente ajudaria” o país a criar modelo de uso inteligente dos recursos.
“Se não investirmos em capacitação científica, para ficarmos na ponta do desenvolvimento de baixo carbono, vamos ficar para trás. No século 20, não fizemos, os asiáticos fizeram. Agora, está zerando de novo a capacidade produtiva. Quem investir mais se destacará”, afirma Abranches.

Etanol e solar
Justamente devido a baixos investimentos em pesquisa, o Brasil põe em risco sua liderança em etanol ante seu maior concorrente, os EUA, que investem mais para desenvolver o etanol celulósico (feito do bagaço de cana, por exemplo), o futuro dos biocombustíveis.
“Estamos engatinhando. O Brasil tem tido muito pouca atividade no campo da ciência, embora tenha desenvolvido na prática uma tecnologia bastante desenvolvida”, afirma o físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, diretor do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais, em Campinas.
Apesar de a cana ser muito mais eficiente e “limpa” do que o milho desenvolvido nos Estados Unidos, caso a tecnologia da segunda geração seja desenvolvida lá, e não haja progressos aqui, os americanos tomariam a dianteira. No Brasil, investimentos públicos e privados em pesquisa de etanol somam R$ 150 milhões ao ano, segundo estima o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira); nos EUA, US$ 1 bilhão ao ano vai só para a pesquisa celulósica.
Um esforço de peso na corrida é o Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, inaugurado pelo presidente Lula em janeiro, com investimentos de R$ 69 milhões. Seus diretores pedem orçamento anual, ainda indefinido, de R$ 50 milhões.
Até 2020, a poluição relativa à energia no mínimo dobrará, estima o próprio governo. Fontes limpas complementares e eficiência energética poderiam atenuar os efeitos do aumento do consumo de energia, diz o físico da USP José Goldemberg.
“O governo está mesmerizado com o pré-sal, há um esforço grande na pesquisa em torno dele. Se você fica fascinado, presta menos atenção a alternativas, que podem até parecer mais caras, mas por isso estímulos poderiam resolver.”
A energia solar, por exemplo, segue vista como cara e sem escala. “É a visão de quem não conhece o setor. Indústrias chinesas já têm escala, porque começaram em 2002 com muito incentivo do governo”, diz Izete Zanesco, do Núcleo Tecnológico de Energia Solar da PUC-RS.
O grupo acabou de encerrar um projeto de tecnologia nacional, a custo mais baixo, para painéis solares e agora trabalha num modelo de negócios para atrair investidores. Entre 2005 e 2009, o projeto teve recursos de R$ 6 milhões -bem abaixo dos 11 milhões iniciais que o Instituto Fraunhofer de Energia Solar da Alemanha teve para projeto similar, diz Zanesco.

Texto Anterior: Repressão foi marco na vida de atual premiê
Próximo Texto:
Tributos e falta de regulação travam empresas no país
Índice


Texto Anterior
| Próximo Texto | Índice

Tributos e falta de regulação travam empresas no país

DA REDAÇÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Pesquisa da consultoria PricewaterhouseCoopers feita no ano passado com 123 empresas de setores diversos atuando no Brasil mostra que 42% delas consideram que os aspectos regulatórios limitam o desenvolvimento de projetos sustentáveis. Para 38%, são os custos elevados o principal limitador. A estrutura tributária figura como aspecto de alto impacto para 26% das empresas.
Na indústria automotiva, a concorrência com o etanol inibe projetos de energia alternativa para carros. Hoje, iniciativas para elétricos ou híbridos são experimentais e têm poucas chances de vingar comercialmente, avalia Fred Carvalho, do Centro de Estudos Automotivos. “Não dá para falar em investimentos de centenas de milhões de dólares, primeiro porque não há incentivo do governo e, depois, porque não existe garantia de que teremos mercado para o produto.”
Na construção civil, há uma série de empecilhos que limita a expansão de práticas sustentáveis, afirma Paulo Safady Simão, presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção). Os chamados “greenbuildings” -com alta tecnologia e eficiência térmica e energética-, segundo ele, não passam de 200 no país. “Há imensos problemas na área de ciência e tecnologia, na estrutura tributária e na capacitação que dificultam a implantação.”
No setor de resíduos, há amplo espaço para expansão, já que mais da metade do lixo urbano tem destinação inadequada ou nem chega a ser recolhida. Os principais gargalos são a timidez dos estímulos fiscais e a falta de instrumentos que garantam a erradicação de lixões e áreas contaminadas, diz o presidente da Abetre (associação do setor), Diógenes Del Bel.
O “plástico verde”, feito a partir do álcool, é a grande aposta da indústria química. A Abiquim (associação do setor) estima que, em 2020, 10% das resinas termoplásticas do mundo serão de material renovável. O Brasil deverá deter 50% desse mercado, o que redundará em investimentos de até US$ 16 bilhões até 2020.
“Mas os projetos são muito mais direcionados para a exportação. No mundo, o apelo verde é maior. No Brasil, há uma defasagem, por questão de educação, consciência, regulamentação e poder aquisitivo”, afirma o presidente da entidade, Nelson Pereira dos Reis.
O setor de energia eólica -que movimentou US$ 2,5 bilhões em 2009 e cujo primeiro leilão exclusivo, em dezembro, pôs o país no radar das grandes fabricantes- está otimista. Mas a falta de políticas de longo prazo, com contratações periódicas, ainda afeta investimentos, diz Steve Sawyer, presidente do GWEC (associação global do setor). O setor de biomassa reclama das contratações pontuais e dos baixos incentivos, diz Zilmar de Souza, da Unica (do setor sucroalcooleiro).
(NATÁLIA PAIVA e PAULO DE ARAUJO)

Texto Anterior: Brasil fica para trás na corrida pela nova economia “verde”
Próximo Texto:
Desenvolvimento verde na Amazônia engatinha
Índice

Aos 110 anos, Esporte Clube Pinheiros é referência em treinamento de atletas

22:21:21   13-07-2010

Aos 110 anos, Pinheiros é referência em treinamento de atletas

Tradicional complexo de lazer e esportes de São Paulo, trata-se do clube brasileiro que mais envia competidores para as Olimpíadas; só para Pequim, foram 30

OCIMARA BALMANT
DA REVISTA DA FOLHA

Ano passado, quando Jackeline, 32, mãe de Felipe dos Anjos de Paula Gama, telefonou para o clube Pinheiros, precisou convencer o interlocutor de que tinha um potencial jogador de basquete em casa.
Ao pedir uma vaga para que o filho fosse treinado, ouviu resposta protocolar: as escolas de formação são exclusivas para os sócios.
Insistente, antes que desligassem o telefone, Jackeline completou: “Ele tem dez anos e já está com 1,80 m”. Bingo. No mesmo dia, o clube ligou de volta. Se a mãe não estivesse dando uns centímetros a mais à altura do menino (como fazem algumas incautas torcedoras de seus filhos), ela poderia levá-lo no dia seguinte ao Pinheiros.
No teste, Felipe nem precisou pegar na bola. Conferidas as medidas, foi admitido. Cursou um ano de escola e hoje, aos 11, olha do alto de seus 1,87 m para os companheiros de equipe da categoria pré-mini.
“Quando aparece um caso desses, eu abro exceção. Pode ser um talento. Se a gente recusa, outro time aceita”, explica Mario Oliveira, gerente de esportes competitivos do clube.
É esse tipo de investimento que fez do Pinheiros -que completa 110 anos neste mês- o clube a enviar mais atletas às Olimpíadas de Pequim, no ano passado. Dos 277 competidores brasileiros, 30 saíram da casa, tradicional complexo de lazer e esportes da cidade, localizado no Jardim Europa, zona oeste de São Paulo.
A abertura foi dada a Felipe. Filho único de uma família de Osasco com renda de R$ 900, ele não tem o perfil do associado: cerca de 36 mil paulistanos das classes A e B, moradores de bairros como Jardins, Morumbi e Vila Nova Conceição e que, se já não são velhos frequentadores, chegam a pagar R$ 20 mil para se associar.
Permitir a circulação de não sócios é estratégico. Dos 30 atletas do Pinheiros que foram para Pequim, nenhum era associado. Na busca por títulos, as piscinas, as quadras e os tatames reúnem medalhistas como César Cielo, Daiane dos Santos e Tiago Camilo.
Os últimos a chegar foram Giba, Gustavo, Rodrigão e Marcelinho, do vôlei masculino.

De olho neles
Nos esportes individuais, olheiros descobrem talentos em outros clubes e os convidam para treinar no Pinheiros.
Foi assim que Daniele Paoli de Jesus, 18, chegou à piscina do clube. Filha de uma professora de natação, ela treinou dos 7 aos 16 anos no Mesc, clube de São Bernardo do Campo, e chegou ao Pinheiros no ano passado. Há 20 dias, fez em 26s49 os 50 m borboleta, índice que qualifica um atleta para o Mundial.
Pela conquista, o clube enviará a jovem para a Copa do Mundo de natação, que acontece em novembro na Suécia, na Alemanha e na Rússia.
O estímulo vem da raia ao lado. Durante cinco horas diárias, de segunda a sábado, ela povoa uma piscina tarimbada. Ali treinam César Cielo e outros nadadores olímpicos premiados, como Felipe França, Henrique Barbosa e Nicholas Santos, que também estiveram em Pequim.

Boa fase
O presidente do clube credita a boa fase à junção de esportes, cultura e atividades sociais e também a uma “imunidade” à crise. “Tínhamos um plano B, mas aconteceu o contrário. Aumentou a frequência”, diz Moreno Neto. “O clube se tornou o lugar mais barato. Ao invés de almoçar fora, o sócio pode comer no restaurante por quilo”.
Mas, para ser sócio, não basta querer. O clube não pretende aumentar o número de associados e o interessado precisa encontrar alguém que queira vender o título ou esperar por editais. A seleção demora três meses, além do investimento que pode passar dos R$ 20 mil. Para fugir dos critérios, só jogando muito. Ou fazendo pirueta.

Frase

Quando aparece um caso desses, abro exceção. Pode ser um talento. Se recusamos, outro time aceita
MARIO OLIVEIRA
gerente de esportes competitivos do clube Pinheiros, ao falar do menino Felipe dos Anjos de Paula Gama

FÁBRICA DE CAMPEÕES

2.486
é o número de atletas associados

350
é o número de atletas não associados

R$ 19 mi
é o incentivo em esporte por ano

16
é o número de modalidades olímpicas

 

Switch to our mobile site